sábado, 3 de agosto de 2013

Até a outra vida

Não é fácil tirar a própria vida. Sempre pensei que essa é, sem dúvida, a decisão mais difícil que pode ser tomada por um ser humano. Por mais que tenhamos decepções, as dúvidas ou fracassos, quando pensamos em acabar com a própria vida, em geral percebemos que pra tudo tem jeito.

Eu mesmo já havia pensado nisso outras vezes. Já me vi envolvido em muitas polêmicas. Já perdi amigos verdadeiros. Já fui incompreendido. Já me decepcionei. Mas sempre esbarrava na falta de um motivo forte o bastante para me fazer acabar com a vida.

O motivo, enfim, apareceu: perdemos o primeiro jogo da final da Copa de Libertadores da América por 2x0. Por mais que eu achasse o resultado normal, me senti um pouco culpado quando vi muitos dos meus amigos amigos fazendo várias promessas "em troca do título". Promessas realmente boas e, como devem ser, relevantes para o promitente e para a sociedade: doação de sangue, cestas básicas e leite, por exemplo.

Eu participaria da promessa de outros (como no caso do sangue, cestas básicas e leite), mas sentia que precisava de uma promessa só minha. Algo que fosse um verdadeiro sacrifício e que, de certa forma, pudesse ter um impacto positivo na vida de alguém. Descobri! Se o Galo for campeão, eu vou pagar uma promessa com minha própria vida! A minha vida pelo Galo! É isso mesmo. Darei a vida pelo Galo (é bonito dizer isso e dá vontade de repetir várias vezes).

A decisão se mostra dura, especialmente porque vivo um momento especial. Fiz novos amigos. Discuto com pessoas muito mais preparadas do que que nos mais diversos assuntos. E, acima de tudo, eu gosto de estar aqui. Gosto da sensação de ser ouvido. De ser levado em conta. Mas, promessa é dívida! Darei minha vida pelo Galo!

Assim, gostaria de agradecer por todo o aprendizado, pelas situações boas e ruins que vivemos juntos, a cada um dos meus 1038 amigos do Facebook e aos mais de 900 seguidores do twitter. A partir de amanhã, essas contas não mais existirão. A minha vida virtual estará, pelo menos por ora, acabada.

Foram quase cinco anos de envolvimento intenso. Essas redes sociais me aproximaram de velhos amigos e me apresentaram muitos novos. Alguns que conheci por meio delas, passaram a frequentar minha casa... Começaram amigos virtuais e viraram amigos pessoais.

A forma de lidar com a informação também mudou com o passar do tempo: comecei querendo saber de tudo e seguindo todo mundo, passei a me envolver com discussões políticas e utilizar as redes como instrumento de trabalho (seja como advogado, professor ou servidor público). Passei a confundir o que era trabalho do que não era. E hoje, na fase mais leve feliz, só sigo atleticano e só falo do Galo.

O que era pra ser uma boa diversão, porém, foi se transformando em um vício. A necessidade de saber o que se passava no mundo ou de stalkear esta ou aquela pessoa passou a fazer parte, de forma muito intensa e prejudicial, em minha vida. Me vi, por inúmeras vezes, cometer a falta de educação de conversar com alguém sem tirar os olhos do celular. Também perdi a conta das vezes que, em bares ou restaurantes, por melhores que fossem as conversas e as companhias, eu simplesmente não parava de consultar as informações nessas redes sociais.

Assim, creio que essa decisão drástica, embora muito sofrida, trará inúmeros benefícios na minha vida pessoal.

Creio que será uma espécie de reabilitação (de um vício que é realmente prejudicial). Ademais, diferentemente do que acredito em minha vida pessoal, penso que nesse caso seria possível uma "reincarnação". Nada impede que eu crie outras contas depois. Assumo o compromisso, entretanto, de manter essa decisão até, pelo menos, o dia do primeiro jogo do Galo no Mundial da FIFA.

Por fim, gostaria de agradecer sinceramente a cada um de vocês. A vida virtual não se encerrará como um todo. Tentarei escrever mais aqui no blog (acessem, please!) e ainda terei minha conta no Instagram. Além disso, vocês sempre podem falar comigo por email (rafas@c1c.com.br) ou pelo whatsapp (31 9629-0389).

Um abraço e vejo vocês em outra vida!

Raphael Maia (@rafasmaia)



quarta-feira, 31 de julho de 2013

Sobre o Galo, o dono da América

Muitos me perguntaram se eu não escreveria aqui sobre o título da Libertadores. Não me sinto capaz. Li tanta coisa boa, que qualquer coisa que eu escrevesse iria ficar aquém do momento.

Me emocionei com a coluna do Fred Mello Paiva, com o texto do Mario Marra, do Mauro Beting e com as cartas escritas ao Cuca e ao Ronaldinho.

Depois da epopeia que foi a conquista desse título, ando tão à flor da pele, que qualquer vídeo sobre o Galo me faz chorar. 

Difícil, pelo menos pra mim, escrever assim.

Quando achei que tal data fosse passar em branco aqui no blog, recebi do meu amigo Luiz Flavio Teles o texto que reproduzo abaixo. Não sabemos a autoria, mas resume bem um pouco do meu sentimento após o título. Se alguém souber quem é o autor, pode falar que dou os créditos aqui.


Eu vi

Eu vi um gênio mostrar quem estava certo.
Este gênio me ensinou que que em cobrança de lateral não tem impedimento.
Eu vi a primeira goleada de mão cheia em um argentino, jogando em seus próprios domínios.
E repetimos aqui.
Atrevi-me a pensar que era placar de "bater em argentinos".
Eu vi uma vitória na altitude, onde o pulmão procurava e não encontrava.
Eu descobri que, quando tá valendo... tá valendo.
Eu vi um futebol encantar a América.
Eu vi a tradição ser usada ser usada como escudo... e ser derrubada pelo futebol, em uma arapuca.
Eu vi um jogo oficial em um gramado não natural, igual ao das peladas de domingo.
Local antes intocado na competição, teve alvejada sua virgindade em dois tentos.
Eu vi máscaras sombrias representando uma tragédia inesperada.
Que um arqueiro, agora santo, a evitou por milagre.
Eu levei duros golpes na Argentina, sem revidar com cinco desta vez.
Ô prepotência! eis a punição.
Eu vi uma multidão bradar: "EU ACREDITO!"
E, após o literal apagar das luzes, eu vi que o maior pecador fora convertido em salvador.
E, após os tiros penais, eu descobri: não se trata de uma competição, mas de uma epopeia.
Eu vi que, se fosse fácil, não seria nosso.
Eu vi, novamente, o adversário da final de 1992.
Eu vi os mesmos desafios nos angustiar.
Em nossa caixinha de milagres, ainda restou algum?
Eu vi tirarem a nossa casa
Porque lá somos capazes de derrotar gigantes.
Lembrei-me, então, que o palco inimigo é também o palco da nossa história.
Resolvemos exercer a justa posse.
Até que, finalmente... Finalmente...
Vi quebrar-se o tabu que faltava.
E o maior da América foi, enfim, coroado.
Galo, obrigado por este dia! 
O mundo de saúda.

Lendo esse texto, me lembrei de cada momento que passei nessa Libertadores. Acrescentaria que vi o Papa abençoando o título... Que vi um técnico com fama de azarado mostrar ao Brasil como se monta uma equipe pra frente... Me lembrei dos novos amigos e dos antigos... Vivi novamente cada momento... Lembrei-me que tinha pensado em tirar fotos em todos os jogos para postar aqui no final. Perdi o celular no meio do caminho. Restam apenas as da resenha antes da final. Que seguem abaixo






terça-feira, 23 de abril de 2013

Vamos jogar com o time!

Nós, do Clube Atlético Mineiro, sempre fomos conhecidos pelo fato de jogarmos com o time em qualquer situação. Nos momentos de alergia, entoamos o grito de Galo, para demonstrar nossa euforia; nos de tristeza, como naquele trágico 27 de novembro de 2005, cantamos, também, o hino para demonstrar nosso amor.

Esse amor incondicional fez com que, muitas vezes, os adversários tivessem medo de nos enfrentar em nossos domínios. Esse amor desperta a curiosidade da imprensa do eixo Rio-SP, que, normalmente, consegue olhar apenas para o seu próprio umbigo. Esse amor fez brotar textos belíssimos dos mais variados poetas escritores e cronistas. Quem não se lembra do belo texto do (ou atribuído a ele) Armando Nogueira
Ou da descrição do Roberto Drummond sobre o que é ser atleticano? Pois bem, nos dias de hoje, precisamos, mais do que nunca jogar com o time! E não falo só nas arquibancadas, mas lá também.

Nas arquibancadas (ou cadeiras)
Durante o ano passado inteiro, irritei muita gente com o grito "VAMOS JOGAR COM O TIME!!!". Tá certo que querem fazer dos estádios (ou arenas) lugares parecidos com teatros, mas não podemos deixar. Temos que tentar apoiar esse time durante os noventa minutos. Não podemos deixar a peteca cair. O grito e canto de cada um pode fazer a diferença.


Vamos lutar para que essa força seja cada vez maior. Vamos evitar as vaias, ainda que o jogador pareça burro e até mesmo desinteressado! Vamos apoiar o tempo inteiro, para que o mais desinteressado dos jogadores seja contagiados pelo amor que sentimos pelo nosso time.

Há tempos não víamos um time que merecesse tanto o apoio da torcida (embora o nosso apoio seja para a camisa, independentemente de quem a esteja usando). Vamos fazer com que eles, cada vez mais, queiram jogar por nós também.

O surgimento do torcedor de ipad em muito contribui para momentos de instabilidade do time. Antes, quando o time desanimava, dormia em campo, a torcia reagia cantando o hino e incendiando novamente os jogadores. De fora pra dentro!

Vemos hoje, muitas vezes, uma torcida apática e desinteressada. Fotos e "check in" no foursquare e facebook não faltam. Jogar com o time, só quando o jogo está ganho...

É claro que cada um torce da maneira que acha melhor e, acreditem, tem gente que acha melhor ficar em silêncio pra não atrapalhar. Respeito, mas o nosso time se acostumou a crescer junto com o grito da torcida. Gritemos, então, por aqueles que não gostam de gritar.

Fora das arquibancadas
Por incrível que pareça, nos dias de hoje, a torcida tem desempenhado um papel importante, também, longe dos estádios.
Não foi a toa o desabafo do Tardelli no twitter:


Certamente, o matador alvinegro viu o alvoroço negativo feito por, parte dos, torcedores no twiiter, depois da derrota para o SPFW. Ou seja, as nossas manifestações nas redes sociais também chegam aos jogadores... Se demonstrarmos aflição, medo, desconfiança e outros sentimentos negativos, os jogadores sentirão isso também. 
Engana-se quem pensa que jogadores e dirigentes não sabem o que se passa nas redes sociais. O próprio Kalil já disse que acompanha o que se diz no twitter. Ainda que não acompanhassem, acreditem, há um monte de assessores, parentes e puxa-sacos para dizer o que a torcida anda falando.
Portanto, vamos jogar com o time, também, nas redes sociais!

Vocês são burros?
Partindo do pressuposto de que os dirigentes acompanham as movimentações nas redes sociais, o que ficou claro, por exemplo, quando o Palmeiras desistiu de contratar o Ricky, estamos agindo feito burros.
Ninguém pode negar que o atacante Neto Berola teve bons momentos no time do Galo (foi importante no Mineiro do ano passado, o jogo contra o Botafogo, pra falar apenas alguns momentos). Esses bons momentos fizeram com que alguns clubes se interessassem por ele. Desta vez, é o Goiás.
Ao ser anunciada a possível contratação o que faz a maioria da torcida do Galo? Comemora! Tiram sarro do time que quer contratar o jogador, a ponto do nome do atleta chegar aos trending topics. Com isso, a chance da negociação melar é gigantesca.
É a mesma coisa de você anunciar à venda um carro que você não quer mais. Quando aparece um interessado, você começa a falar pra todo mundo que é um péssimo negócio, que esse carro vive quebrando e que sé faz raiva em todo mundo da família. 
Sejamos mais espertos, gente! Vamos jogar com o time! 


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Esse time do Galo me representa

De novo SPFW

Me perguntaram antes do jogo e eu fui incisivo: Prefiro pegar o São Paulo! Completei dizendo que para isso, infelizmente, teríamos que perder. Não gosto de perder! Aliás, quase não durmo quando perdemos. Fico puto mesmo... Ontem, só dormi, porque tava bêbado.

Mas, como eu dizia, preferia o São Paulo. Por algumas razões: a primeira, pessoal: é muito mais fácil pra ir ver o jogo. Estou morando em Itajubá e apenas 2h30 de carro separam minha casa do Morumbi. Certamente eu não iria, nas oitavas, pra Argentina ou Bolívia.

Ademais, pegar os bolivianos implicaria em necessariamente joga na altitude. Ganhamos lá, alguém poderia dizer. É, ganhamos, mas é um fator que sempre pesa e, a partir de agora, um jogo ruim pode acabar com o sonho (que, para muitos cruzeirenses, parece que acabou ontem).

Mas e os argentinos? Desses nós ganhamos as duas, fizemos 10 gols. Tá certo também. Mas, não podemos esquecer, trata-se do campeão argentino. Além disso, o jogo lá teria um clima de guerra, tendo em vista os últimos acontecimentos no Independência. E guerra, amigo, em terra estrangeira, não é bem o que eu queria agora.

Por fim, o São Paulo vem se mostrando, desde o ano passado, um time irregular. Alternas péssimas partidas, com jogos mais ou menos... É um time que conhecemos e sabemos dessas limitações.  Acho que a gente ganha, principalmente porque volta a nossa velocidade, nas pessoas de Tardelli e Bernard.

Não tô nem um pouco preocupado. Juro! Ao contrário, tô até aliviado.

Mas ontem eles foram bem melhores... Só o São Paulo jogou. Foram? Onde? Foram menos piores, isso sim. O jogo foi ruim demais. O RCeni não fez nenhuma defesa. O Victor, fez uma... E tiveram os dois gols. Fora isso, muita marcação e um meio de campo embolado.

O jogo de ontem era o jogo da vida deles. Pra nós, mais um onde ninguém queria se machucar ou correr o risco de ficar de fora da próxima. Menos drama, por favor...

Galo Bipolar

O que me preocupa um pouco, embora não afete o time, é o comportamento de parte da torcida. Li as seguintes frases ontem nas redes sociais: "Esse time não merece meu Galo na veia!" "Claro que iríamos perder, time de pipoqueiros!" "Tem que mandar o Cuca embora, ele não sabe ser campeão!"

Alguém que não sabe do contexto, certamente pensaria que o time foi humilhado e eliminado na primeira fase do campeonato mineiro. Esses mesmos, antes do jogo, exaltavam a grandeza do time e do treinador. Como conseguem viver assim? Tá certo que a paixão fala alto, mas, mais uma vez, menos, gente... Bem menos...

A cornetagem nas redes sociais não prejudica o time, mas cria um clima de tensão na torcida, desnecessário pra um time que, até ontem às 22h, era o queridinho da torcida e da mídia.

Repito o que venho dizendo desde o ano passado: vamos fechar com o time! Esse time merece o total apoio e confiança de toda a torcida.

Como essa expressão tá na moda: #EssetimedoGalomerepresenta!


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sobre Galo 5 x 2 Arsenal - e além de, como diria a Paty

Torcedor de longe
 
Futebol é no campo! O jornalista Flávio Gomes costuma escrever isso em seu perfil no twitter e eu tendo a concordar. Nada como assistir seu time de coração de perto. Ou melhor, é difícil demais assistir de longe.
Nessa minha mudança pra Itajubá, porém, essa é uma das duras realidades que terei que aprender a conviver. Torcer pro Galo à distância. Sem sentir o clima antes do jogo. Sem ver a euforia de muitos torcedores e a tensão em alguns poucos. Sem aquele ritual pré-jogo. A cerveja com os amigos (a maioria eu nem sei o nome) no caminho. A entrada do Galo Doido com as Crianças. A escalação gritada pela torcida... Tudo isso faz muita falta. Realmente, futebol é no campo.
 
Foto: Bruno Cantini (retirada do blog camizadoze.net) 
 
Mas, como nem tudo é perfeito, vou ter que me acostumar a torcer de longe.
Ontem foi um dia assim. A 500 km de distância, passei o dia pensando se o jogo seria exibido em algum bar. Ainda tem isso, aqui, os times do eixo Rio-SP têm a preferência da maioria da população. Fui salvo pelo Bar da Maria.
De longe fica mais difícil xingar, apoiar, cantar... Mas tentei fazer tudo isso. Por outro lado, fica mais fácil ler e escrever no twitter. Mas, futebol é no campo.
 
O Jogo
 
Tenho 30 anos e nunca vi uma identificação tão grande entre time e torcida. O time do Galo tá dando muito gosto de ver jogar. Time compacto, seguro, firme e cheio de talento. Disse, no dia do jogo contra o SPFW, que, se entrarmos motivados, dificilmente perderemos um  jogo. Dentro ou fora de casa. E, mais uma vez, a vontade, aliada ao talento de muitos jogadores, fizeram com que o jogo fosse fácil. Goleada, fora o baile, estampou o jornal Olé. Mais um jogo antológico! Ronaldinho é mesmo um jogador diferente! É uma honra ver tamanho talento defendendo as cores do time que amo! Mas ainda temos Réver e Léo Silva, Donizetti (numa fase impressionante) e Pierre, Tardelli e Jô, que vem se destacando de forma impressionante. Sem a menor soberba, estamos jogando, desde o ano passado, o melhor futebol do País. Esse ano, com a chegada de reforços pontuais, a manutenção e uma motivação maior de nossos craques, estamos mais fortes. Torço para que essa empolgação e esse futebol dure até o final do ano.
 
A comemoração
 
Outra coisa que chama a atenção nesse time, é como o grupo parece unido. Isso fica evidente, nas jogadas dos gols (onde a coletividade supera a individualidade) e em suas comemorações. No jogo contra o Tupi, após fazer o último gol do jogo, Ronaldinho comemorou fazendo careta, clara homenagem aos irmãos Ricky e Alecssandro.
 
Outra foto do Bruno Cantini, desta vez retirada do Diário Lance

 
Ontem, a comemoração foi em homenagem ao Tardelli. Na sua passagem em 2009, o Dom Diego do Galo foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro e o narrador Mário Henrique, o caixa, narrava os gols do "9" do Galo imitando uma metralhadora "Ta ta, ta tá, ra ta ta ta, Tardelli neles, Galo".
 
 
Duro é ouvir esse gol e lembrar quem jogava no Galo, rs


 
A partir daí, o matador alvinegro começou a fazer a metralhadora sempre que deixa a sua marca.
 
 
Falar que tal comemoração incita a violência é de uma imbecilidade sem tamanho. O que quer dizer o verbo incitar? Alguém, depois de ver o gol do Galo e por causa dele, vai pensar em pegar uma arma e sair atirando por aí? Muita bobagem pra pouco tempo.
Esse tipo de coisa deixa o mundo mais chato. Se seguirmos a mesma linha do jenio Luis Carlos Jr, poderemos mudar alguns termos do futebol, tais como matador e artilheiro. Devemos censurar as imagens em que Pelé socava o ar e, até mesmo, pedir que nosso adversário de ontem mude de nome.
 
A confusão
 
Parte triste do jogo de ontem foi a confusão envolvendo jogadores argentinos e a Polícia Militar. Sobre isso, gostaria de falar de ambas as partes: argentinos e polícia.
Me incomoda muito, quando esse tipo de situação ocorre e a gente começa a ver uma série de manifestações preconceituosas contra os argentinos. "Ah, tinha que ser argentino". "Ah, esses argentinos são todos assim". "Ah, argentina isso, argentina aquilo".
Menos, gente! Bem menos! As pessoas escrevem essas bobagens e depois vão passear em Buenos Aires e colocar foto no instagram... Não, os argentinos não são assim. Como os brasileiros também não são todos assassinos, como alguns dos que estavam em Oruro. Temos que combater esse tipo de preconceito bobo. A gente vai muito pra lá e é sempre muito bem tratado pelos... Argentinos! Não entremos nessa pilha.
 
Apesar de ser muito chato o ocorrido, vez que não tem nada a ver com esporte, fiquei muito feliz com a atuação da Polícia Militar. A ver pelas imagens, uma atuação serena. Entrevistas calmas e ponderadas. Houve abuso por parte de alguns jogadores e a PM reagiu bem. Sem violência, sem querer aparecer demais. Muito orgulho por ter sido professor de alguns daqueles que ali estavam.
De resto, reitero uma opinião antiga: aquele, certo ou errado, não é o papel da PM. Temos que mudar essa cultura no Brasil. A Policia Militar não deve ser responsável pela segurança de árbitros e nem de torcedores dentro do estádio. Trata-se de um evento privado e a segurança também deve ser.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Gratidão

BELO HORIZONTE (quase Itajubá) - Certo dia, em uma aula de ensino religioso, no saudoso Colégio Batista Mineiro, ouvi a história do leproso que, dentre os dez que foram curados por Jesus, voltou para agradecer (Lc 17; 11-19).
Desde então (eu acho) sempre fui muito grato a todas as pessoas. Uma das poucas qualidades que tenho, certamente, é saber reconhecer o que fazem por mim e cultivar o sentimento de gratidão.
Dito isso, é hora de agradecer ao Governo de Minas Gerais. Estou de partida para novos desafios, mas não posso deixar de reconhecer o quanto o trabalho realizado nos últimos sete anos foram fundamentais para a minha vida.
Foi o trabalho no Governo de Minas que me deu condições para passar no concurso do próprio Governo de Minas, em 2007 e fazer o meu mestrado, mesmo tendo que conciliá-lo com o horário de trabalho. Foi a experiência no Governo de Minas, também, que me credenciou, muitas vezes, para as oportunidades na docência. A boa reputação dos servidores públicos do Governo de Minas Gerais serviu como diferencial para alguns processos seletivos que participei. 
Foi, ainda, no Governo de Minas, que eu tive contato pela primeira vez, com conceitos de Administração Pública e vi, na prática, o surgimento de um novo paradigma de Gestão Pública para Resultados, que foi, e ainda é, referência no Brasil inteiro.
Graças ao trabalho realizado no Governo de Minas, pude (por mais incrível que possa parecer) me tornar referência para uma série de jovens servidores que, assim como eu, acreditam ser o serviço público uma forma de, efetivamente, atender ao interesse público.
Por tudo isso, agradeço a cada um que eu tive oportunidade de conviver direta ou indiretamente durante esse período tão feliz e importante da minha vida. De forma destacada, aos amigos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, em especial os que estavam no GERAES, em 2007 (por viverem diariamente o princípio da eficiência) e na SCAP em 2008 (por me ensinarem a essência da palavra simplicidade).
Aos amigos (estes bem mais que amigos) da Assessoria de Gestão Estratégica e Inovação da Secretaria de Cultura. André, Lucas e Priscila: vocês me ensinaram (como já disse antes) que seriedade não tem nada a ver com mau humor. Graças a vocês, as condições adversas do trabalho eram todas espantadas com risadas e cumplicidade. Lembrarei sempre dos momentos felizes que passamos juntos.

Aos novos amigos da Subsecretaria de Relações Institucionais: muito obrigado por terem me acolhido tão bem! Pena ter sido por um período tão curto. 
Por fim, devo agradecer, ao Governador Antônio Anastasia, pela oportunidade dada, quando eu ainda era um estudante de graduação. Mais do que isso, devo agradecer pelo fato de que, desde os tempos em que era meu professor de Direito Administrativo na Faculdade de Direito da UFMG, o Professor Anastasia sempre foi para mim referência de homem público íntegro, competente, dedicado e sensível aos problemas do Estado. Sua postura profissional muito inspirou em mim o desejo de querer aprofundar cada vez mais nos estudos e ser um servidor melhor.
Caro professor, por onde eu for, levarei o seu exemplo comigo. Muito obrigado por tudo!

Agora sigo por um novo caminho, mas, além da gratidão, levo no coração um pouquinho de cada um que tive a honra de conviver por aqui. Espero levar, ainda, as melhores práticas de Gestão Pública e contribuir para o povo brasileiro, com o mesmo amor com que contribuí para o povo de Minas Gerais nos últimos anos.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Por amor ao Galo, sim, mas, sobretudo, ao Estado Democrático de Direito

O Galo, depois de algum tempo adormecido, vinha bem no Campeonato Brasileiro. Uma campanha quase impecável em casa, algumas boas vitórias fora e a liderança absoluta no fim do primeiro turno

Diante disso, alguns fatores extra-campo começaram a aparecer: demoram a liberar o Ronaldinho pra jogar, adiam um jogo com o Flamengo, Bernard e o próprio R49 são suspensos de forma estranha, além de uma gigantesca quantidade de erros pró Fluminense.

A torcida do Galo (que diga-se de passagem possui a maior taxa de ocupação de estádio nesse campeonato) resolve, para demonstrar sua indignação resolve protestar contra a CBF e assim faz, como demonstra as imagens abaixo, de forma pacífica, irreverente e inteligente.

Tá certo que ele é um palhaço, mas essa aí foi em protesto

Essa também não foi muita novidade

E aqui, o mosaico que encantou o mundo


Depois do protesto, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decide aplicar uma penalidade ao Clube, pelo fato de que a sua torcida ofendeu uma instituição (a CBF e o próprio Tribunal).

Pois bem, por ser atleticano, fiquei indignado demais com a decisão. Se bem que R$ 10.000,00 (dez mil reais), nessa altura do campeonato, não está fazendo muita falta pro Galo não. A minha indignação maior, porém, foi como cidadão e professor de Direito Constitucional.

Quantas pessoas morreram no Brasil, para que nós brasileiros pudéssemos ter assegurado o direito à livre manifestação do pensamento? Qual o peso que esse direito (ou garantia) tem para a formação do nosso país? Como imaginar que, em um Estado Democrático de Direito, uma decisão pudesse ser tão arbitrária assim?

Diante de todas essas questões, e com uma revolta maior do que eu posso aguentar (fiquei uma noite sem dormir), resolvi, juntamente com o Gabriel Cunha Pereira e o Silvio Teixeira, dois amigos (atleticanos e advogados), recorrer ao Poder Judiciário. A tese? Simplesmente a defesa da Constituição! Queríamos assegurar o direito da torcida protestar, sem que o Clube que tanto amamos seja punido por isso.

A questão de mérito é simples. Muito simples por sinal. Mas o direito não é tão simples assim. Sabemos que, às vezes, questões processuais podem complicar uma causa nobre como essa. Decidimos agir assim mesmo. Passamos o dia pensando qual a melhor estratégia e qual instrumento processual seria cabível.

Decidimos impetrar um Mandado de Segurança preventivo. Não sabemos se teremos êxito! Provavelmente, não. Mas não podíamos nos calar, diante de uma agressão tão grave ao Estado Democrático de Direito.

Olha a gente no Fórum aguardando a distribuição

Pra quem quiser ver nossos argumentos, a peça segue abaixo.



Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da _____ Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte/MG









                        RAPHAEL MOREIRA MAIA, brasileiro, casado, advogado, Carteira de Identidade n  MG __________, inscrito no CPF sob o número _____________, GABRIEL SENRA DA CUNHA PEREIRA, brasileiro, solteiro, advogado, Carteira de Identidade n° MG-__________, inscrito no CPF sob o número _____________, e SILVIO TEIXEIRA DA COSTA FILHO, brasileiro, casado, advogado, Carteira de Identidade n° MG-____________, inscrito no CPF sob o número ______________ e na OAB/MG sob o número 114.721, vêm à presença de Vossa Excelência, advogando em causa própria, com respaldo no art. 5º, LVIX[1], da Constituição Federal e na Lei 12.016/2009, impetrar o presente

MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO COM PEDIDO DE LIMINAR

Contra ato do PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DESPORTIVA, com endereço na Rua da Ajuda, n° 35, 15° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, o qual exerce suas atribuições na CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL, entidade nacional de administração do desporto (Lei Pelé), com endereço na Rua Victor Civita, 66 - B1 - Edifício 5 (5º andar) - Condomínio Rio Office Park Barra da Tijuca, CEP 22.775-044, o que fazem pelos seguintes fundamentos de fato e de direito a seguir deduzidos.


DOS FATOS
Os impetrantes são torcedores do Clube Atlético Mineiro e, durante partida do referido clube contra o Fluminense, realizada no dia 21 de outubro de 2012 em Belo Horizonte, participaram de uma manifestação pacífica contra o que consideraram desmandos do Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Tal manifestação consistiu na realização de um “mosaico” da seguinte forma: CBF, em posição invertida, nas cores do Fluminense, verde, vermelho e branco (foto anexa).
Diante da manifestação pacífica da torcida, foi apresentada pela Procuradoria do STJD denúncia contra o Clube Atlético Mineiro, por ofensa ao art. 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Com base na denúncia, o Pleno do STJD entendeu por aplicar  como penalidade, multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) ao Clube Atlético Mineiro.
Durante a sessão de julgamento do processo n° 204/2012, o Procurador do STJD Paulo Schmitt afirmou que houve sim ofensa no estádio com a exibição das faixas e mosaico por parte da torcida do clube mineiro. Afirmou ainda que "Não acho certo que um clube de futebol permita que se diga que o campeonato e o tribunal são uma vergonha. É uma honra para mim atuar no Tribunal" (sic).
Com tal medida, o STJD pretende impedir que os torcedores se manifestem dentro do estádio de futebol, violando assim, o direito líquido e certo assegurado pela Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art. 5°, IV[2].
O que motiva os impetrantes à medida tão extremada não vem a ser apenas uma possibilidade de lesão ao seu direito constitucional de livremente manifestar seu pensamento, mas, sobretudo, o precedente que pode ser aberto, caso nenhuma atitude seja tomada diante de tamanha arbitrariedade.

DA LEGITIMIDADE PASSIVA E DO CABIMENTO DO MANDAMUS
A Lei n° 12.016;2009, que disciplina o Mandado de Segurança individual e coletivo, estabelece, logo em seu art. 1°, que:

Art. 1o  Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.

§ 1o  Equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. (grifos nossos)

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), entidade autônoma da Justiça Desportiva, embora não pertença formalmente à Administração Pública, exerce, sem sombras de dúvidas, atribuições do poder público. Tal fato é claramente comprovado pela interpretação do Texto Constirucional e de outras normas presentes no ordenamento jurídico brasileiro.
Com efeito, no que diz respeito à Justiça Desportiva, estabelece a Constituição Federal que:

Art. 217 – [...[
§ 1º - O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, reguladas em lei. (grifos nossos)

Ora, uma vez que a instância da justiça desportiva máxima, no caso, é o STJD, claro está que esta corte está exercendo atribuições do poder público.
No mesmo sentido, estabelece o art. 52 da Lei n° 9.615/98, que institui normas gerais sobre desporto[3] que:

Art. 52. Os órgãos integrantes da Justiça Desportiva são autônomos e independentes das entidades de administração do desporto de cada sistema, compondo-se do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, funcionando junto às entidades nacionais de administração do desporto; dos Tribunais de Justiça Desportiva, funcionando junto às entidades regionais da administração do desporto, e das Comissões Disciplinares, com competência para processar e julgar as questões previstas nos Códigos de Justiça Desportiva, sempre assegurados a ampla defesa e o contraditório. (Redação dada pela Lei nº 9.981, de 2000)
§ 1o Sem prejuízo do disposto neste artigo, as decisões finais dos Tribunais de Justiça Desportiva são impugnáveis nos termos gerais do direito, respeitados os pressupostos processuais estabelecidos nos §§ 1º e 2º do art. 217 da Constituição Federal.

Por fim, o art. 54 da Lei Pelé estabelece o seguinte:

Art. 54. O membro do Tribunal de Justiça Desportiva exerce função considerada de relevante interesse público e, sendo servidor público, terá abonadas suas faltas, computando-se como de efetivo exercício a participação nas respectivas sessões.

Por todo o exposto, provado está que o Superior Tribual de Justiça Desportiva é parte legitima para figurar no pólo passivo do Mandado de Segurança.

DA LEGITIMIDADE ATIVA DOS IMPETRANTES
Apesar de a penalidade ter sido aplicada contra o Clube Atlético Mineiro, os ora impetrantes são partes legítimas para ajuizarem o presente mandamus. Primeiramente, porque se trata de mandado de segurança preventivo, em que o pedido é para que a autoridade impetrada abstenha-se de aplicar penalidades em razão da livre manifestação do pensamento. Ademais, em última análise, ao aplicar a penalidade ao Clube, a Justiça Desportiva pretende alcançar, por via oblíqua, o torcedor, inibindo-o e desestimulando-o a agir em desconformidade com suas determinações. Citem-se, como exemplo, as penalidades de “perda de mando de campo” aplicadas aos clubes, cujos torcedores arremessam objetos no gramado de jogo. O objetivo da penalidade é justamente criar o receio, nos torcedores, de prejudicar o próprio clube e, assim, impedir a prática em tese reprovável.
Logo, o ato praticado pela autoridade coatora alcança a esfera jurídica dos impetrantes, que não poderão manifestar livremente seus pensamentos, sob pena de prejudicarem o Clube para o qual torcem. Dessa forma, não restam dúvidas de que eles têm legitimidade ativa para pleitear a abstenção, pela Justiça Desportiva, de punir o Clube Atlético Mineiro em razão da livre manifestação do pensamento dentro dos estádios.

DO DIREITO
A livre expressão do pensamento
A Constituição Federal assegura, dentre os direitos e garantias fundamentais, que é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato (CF, art. 5°, IV). Trata-se, como se vê, de uma regra ampla, e não dirigida a destinatários específicos. Todos, portanto, em um Estado Democrático de Direito, podem manifestar livremente os seus pensamentos.
Nesse sentido, afirma o Professor Alexandre de Moraes que [...] a proteção constitucional engloba não só o direito de expressar-se, oralmente, ou por escrito, mas também o direito de ouvir, assistir e ler[4]. O mestre José Afonso da Silva afirma, por sua vez, que:

A liberdade de pensamento é o direito de exprimir, por qualquer forma, o que pense em ciência, religião, arte, ou o que for. Trata-se de liberdade de conteúdo intelectual e supõe o contato do indivíduo com seus semelhantes, pela qual o homem tenda, por exemplo, a participar a outros suas crenças, seus conhecimentos, sua concepção do mundo, suas opiniões políticas ou religiosas, seus trabalhos científicos[5].

Os estádios de futebol foram, durante os difíceis anos da ditadura, local onde o povo brasileiro pode manifestar a sua insatisfação com o regime. Não se pode tolerar, em hipótese alguma, que tentem impedir os torcedores de, durante uma partida de futebol, expressar os seus sentimentos, sejam eles de amor ou indignação.
Ademais, no caso em tela, tanto o mosaico, quanto as faixas, ou os gritos da torcida foram competamente pacíficos. Não houve, em momento algum, nada que pudesse incitar a violência contra pessoas ou instituições.
Tanto é verdade que, em momento algum, a Confederação
O ato de STJD, se prospera, pode abrir nos eventos esportivos um precedente pergosíssimo que tende, aos poucos, eliminar as garantias do Estado Democrático de Direito que foram duramente conquistadas pelo povo brasileiro.
Não se trata, frisa-se, de nenhuma manifestação de apologia à violência! Essas, sim, deveriam ser duramente perseguidas pelas autoridades e, como vemos sempre nos noticiários, não são.
Por tudo isso, deve ser assegurado a todos o direito de livremente manifestar o seu pensamento, seja nas ruas, na internet, ou em um estádio de futebol.
É inadmissível que um órgão que desenvolve uma função pública faça qualquer ameaça a direito do torcedor manifestar seu pensamento, colocando como punição um prejuízo a um clube, que representa a paixão de milhões de brasileiros
DOS PRESSUPOSTOS DA MEDIDA LIMINAR
A medida pleiteada comporta prestação preliminar, o que se requer desde já, pois que presentes todos os pressupostos necessários para seu deferimento.
A plausibilidade jurídica da concessão da liminar encontra-se devidamente caracterizada na presente. O fumus boni iuris foi devidamente demonstrado pelos elementos fáticos e jurídicos trazidos à colação e a incidência do periculum in mora repousa, ainda, no fato de que, no próximo domingo, já haverá outro jogo no Estádio Independência e os impetrantes precisam ter a certeza que não prejudicarão o clube ao entoar seus cantos, sejam eles de amor ou de protesto. tendo-se em vista o seu direito de manifestar livremente o pensamento, direito constitucionalmente garantido.

 DO PEDIDO
Por todo o exposto, requerem:
1. A concessão de medida LIMINAR inaudita altera parts, determinando que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva se abstenha de aplicar qualquer punição ao Clube Atlético Mineiro, em razão da manifestação pacífica de seus torcdedores;

2. Notificação da autoridade coatora entregando-lhe a Segunda via com cópia de documentos, a fim de que, no prazo de 10 (dez) dias, preste as informações necessárias.

3. A concessão da Justiça Gratuita, por serem pobres no sentido legal.

4. Seja oficiada a CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL, no endereço constante nesta exordial para, querendo, ingressar no feito.

5. Ao final, seja concedida a segurança, para conceder-se de forma definitiva os pedidos, determinando-se ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva que se abstenha de aplicar qualquer punição ao Clube Atlético Mineiro, em razão da manifestação pacífica de seus torcedores.

6. A intimação do i. representante do Ministério Público.

7. A juntada da prova pré-constituída em anexo.

Dá-se à causa o valor de R$ 100,00 (cem reais)

Termos em que
Pede deferimento.


Belo Horizonte, 30 de novembro de 2012.


Raphael Moreira Maia
OAB/MG __________

Gabriel Senra da Cunha Pereira
OAB/MG ____________

Silvio Teixeira da Costa Filho
OAB/MG ____________




[1] Art. 5° [...]
LXIX - conceder-se-á Mandado de Segurança para proteger direito líqüido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público
[2] Art. 5° [...]
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
[3] A Lei 9.615/98 é conhecida popularmente como Lei Pelé
[4] MORAES, Alexandre de. Direitos Humanos Fundamentais: Teoria Geral, Comentários aos Arts. 1º a 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, Doutrina e Jurisprudência. São Paulo: Atlas, 1997.

[5] SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Malheiros, 1999. P. 244.